A SCM em Paris: balanço de uma semana decisiva para os criadores

21 de julho de 2026 por
Edmilson Veiga

Encerrada a participação da Sociedade Cabo-verdiana de Música (SCM) nos encontros internacionais de Paris, importa partilhar com os autores cabo-verdianos e com o público um balanço das conclusões — e do que elas significam para o futuro da gestão de direitos em Cabo Verde.

A SCM esteve presente na Assembleia Geral do Centenário da CISAC (4 de junho de 2026) e nos trabalhos da BIEM (2 de junho), os dois espaços que estruturam, à escala global, a defesa dos direitos dos criadores: a CISAC enquanto confederação mundial das sociedades de autores, e a BIEM enquanto organização internacional de referência para os direitos mecânicos. Participar em ambos confere à SCM uma visão completa da cadeia de valor dos direitos de autor e conexos.O que ficou desta semana

1. A criatividade humana é a linha vermelha. A grande conclusão da Assembleia foi a adoção do Compromisso de Paris, declaração que afirma a criatividade humana como valor a proteger ativamente perante o avanço da Inteligência Artificial. A SCM subscreve integralmente esta visão: a IA deve apoiar — nunca explorar — o trabalho dos criadores, com transparência, licenciamento e remuneração justa.

2. A gestão coletiva sai reforçada. O consenso global foi inequívoco: não há ecossistema criativo justo e sustentável sem organizações de gestão coletiva fortes. Para Cabo Verde, isto valida o caminho institucional da SCM e reforça a urgência de continuar a profissionalizar e modernizar os seus instrumentos de gestão.

3. África ganha peso na governação mundial. A edição centenária consolidou a presença africana na liderança da CISAC. É um sinal estratégico para a SCM e para o espaço lusófono — abre portas à cooperação Sul-Sul, à partilha de boas práticas e ao apoio técnico para sistemas nacionais em consolidação.

4. Padrões e ferramentas internacionais ao alcance dos autores nacionais. A pertença a esta rede dá à SCM acesso a sistemas, identificadores e mecanismos de intercâmbio de dados de referência mundial — instrumentos decisivos para garantir que os direitos dos autores cabo-verdianos são corretamente identificados e remunerados, dentro e fora do país.

O que isto significa para Cabo Verde A participação da SCM nestes fóruns não termina em Paris. As conclusões traduzem-se em compromissos concretos: alinhar a atuação da SCM com os princípios do Compromisso de Paris, antecipar os desafios da IA na realidade nacional, e capitalizar as redes internacionais ao serviço dos autores que a SCM representa.

Cabo Verde estava na sala onde o mundo decidiu defender a criatividade humana. 

E sai dela com um compromisso renovado: proteger quem cria.Sociedade Cabo-verdiana de MúsicaPela valorização e proteção dos autores nacionais — em Cabo Verde e no mundo.

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